Aripiprazol no Autismo (TEA): Para que Serve, Eficácia e Cuidados
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Aripiprazol no Autismo (TEA): Para que Serve, Eficácia e Cuidados
O aripiprazol é um antipsicótico atípico usado no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) principalmente para reduzir irritabilidade, agressividade e explosões de comportamento. Ele não “trata o autismo” em si (não muda diretamente as dificuldades centrais de comunicação e interação social), mas pode ajudar quando os comportamentos estão causando prejuízo importante na rotina, na aprendizagem, nas terapias e na segurança.123
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individual.
Leia também: Risperidona no Autismo e Autismo e comorbidades.
Para que é usado no TEA
Em crianças e adolescentes, o aripiprazol é mais lembrado quando há:
- Irritabilidade intensa associada ao TEA (birras graves, crises frequentes, explosões)
- Agressividade contra outras pessoas ou autoagressão
- Comportamentos disruptivos que impedem escola, terapias e rotina familiar
Nos EUA, há aprovação formal para irritabilidade associada ao autismo em pacientes de 6 a 17 anos.4
O que a evidência científica sugere
Ensaios clínicos de curta duração (em geral 8–16 semanas) mostram que o aripiprazol pode ser superior ao placebo para reduzir irritabilidade e hiperatividade em TEA infantil.53 Em alguns estudos, também aparecem melhorias em comportamentos estereotipados e fala inadequada, mas a mudança em retraimento social e em dificuldades centrais de comunicação costuma ser pequena.63
Aripiprazol x risperidona (visão prática)
Revisões sugerem que risperidona e aripiprazol podem melhorar sintomas comportamentais a curto prazo em crianças e adolescentes com TEA.786 Em linhas gerais, a risperidona pode parecer um pouco mais potente em alguns desfechos, porém com maior risco de efeitos metabólicos e de prolactina.76
| Aspecto | Aripiprazol | Risperidona |
|---|---|---|
| Sintomas-alvo | Irritabilidade, hiperatividade e estereotipias.3 | Irritabilidade e comportamentos desafiadores.67 |
| Efeito global no TEA | Melhora comportamental, pouco efeito em socialização.63 | Melhora comportamental semelhante ou maior a curto prazo.67 |
| Metabólico/prolactina | Tendência a menor aumento de prolactina e perfil metabólico geralmente “menos pior”.73 | Maior risco de ganho de peso e hiperprolactinemia.67 |
| Efeitos extrapiramidais | Geralmente baixos, mas possíveis (ex: acatisia, rigidez).39 | Também possíveis, variam por dose e sensibilidade.67 |
Doses e monitorização (sempre com especialista)
Protocolos e revisões costumam descrever início em dose baixa, com ajustes graduais conforme resposta e tolerância, com alvo frequentemente em torno de 10 mg/dia e limites que podem chegar a 15 mg/dia em crianças e adolescentes, dependendo do caso.21 Isso não é uma recomendação individual de dose: o esquema correto depende de idade, peso, sintomas-alvo, comorbidades, outros remédios e efeitos colaterais.
Em acompanhamento, costuma-se monitorar:
- Peso, IMC e apetite
- Sono (sonolência vs agitação/insônia)
- Pressão arterial e sinais clínicos gerais
- Exames metabólicos (conforme indicação do médico)
- Avaliação de efeitos neurológicos (ex: acatisia, rigidez, tremor)27
Efeitos colaterais mais comuns (e sinais de alerta)
Os efeitos mais relatados incluem sonolência (ou, em alguns casos, agitação/insônia), cefaleia, náusea, constipação e tontura.39
Também pode haver ganho de peso e aumento de IMC, embora muitas fontes descrevam esse risco como menor do que em alguns outros antipsicóticos, com atenção especial em crianças menores.97
Efeitos menos frequentes, porém importantes para discutir com o médico, incluem:
- Acatisia (inquietação intensa, “não consigo ficar parado”)
- Sintomas extrapiramidais
- Alterações de impulso (comportamentos compulsivos)
- Mudanças de humor relevantes39
Se houver piora súbita importante do comportamento, efeitos neurológicos intensos ou preocupação com segurança, procure atendimento médico.
Como decidir se faz sentido no seu caso
Em geral, o medicamento entra como parte de um plano global quando:
- Estratégias ambientais e comportamentais (ABA, Denver, TEACCH e adaptações escolares) já foram tentadas e não foram suficientes6
- O comportamento está impedindo qualquer intervenção, gerando sofrimento importante ou risco de lesão62
No Brasil, alguns documentos e protocolos do sistema público citam o aripiprazol para TEA com comportamento agressivo, mas o acesso pode depender de relatório detalhado, justificativa clínica e avaliação por especialista (como neuropediatra ou psiquiatra infantil).102
Se você quiser, diga a idade, o peso aproximado e quais sintomas específicos são prioridade (autoagressão, crises, agressividade, hiperatividade, sono). Dá para conversar de forma mais direcionada sobre prós e contras do aripiprazol em relação a outras opções e sobre quais sinais observar no acompanhamento.
Footnotes
-
https://translate.google.com/translate?u=https%3A%2F%2Fpmc.ncbi.nlm.nih.gov%2Farticles%2FPMC3043611%2F&hl=pt&sl=en&tl=pt&client=srp ↩ ↩2
-
https://www.saude.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/9/2018/06/ARIPIPRAZOL-TRANSTORNO-DO-ESPECTRO-DO-AUTISMO-TEA-1.pdf ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5
-
https://www.dovepress.com/aripiprazole-in-acute-treatment-of-children-and-adolescents-with-autis-peer-reviewed-fulltext-article-NDT ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9
-
https://news.bms.com/news/details/2009/US-Food-and-Drug-Administration-Approves-ABILIFY-aripiprazole-for-the-Treatment-of-Irritability-Associated-with-Autistic-Disorder-in-Pediatric-Patients-Ages-6-to-17-Years/default.aspx ↩
-
https://portal.tjce.jus.br/uploads/2018/01/ARIPIPRAZOLARISTAB%C2%AE-PARA-TRATAMENTO-DE-TRANSTORNO-DE-ESPECTRO-DO-AUTISMO.pdf ↩
-
https://autismoerealidade.org.br/2023/09/01/o-que-diz-a-ciencia-sobre-o-uso-de-risperidona-e-aripiprazol-por-autistas/ ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10
-
https://revistas.usp.br/revistadc/article/view/227101 ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9
-
https://psychopharmacologyinstitute.com/section/pharmacotherapy-of-autism-spectrum-disorder-results-from-the-randomized-baart-clinical-trial-2563-4824/ ↩
-
https://consensus.app/questions/aripiprazole-side-effects/ ↩ ↩2 ↩3 ↩4
-
https://static.trf2.jus.br/nas-internet/documento/comite-estadual-saude/pareceres/2024/parecer-0819-2024.pdf ↩
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