Tylenol não causa autismo
Dados atuais mostram que não existe evidência científica sólida de que o uso de Tylenol (acetaminofeno/paracetamol) durante a gravidez provoque autismo em crianças.
Embora alguns estudos observacionais tenham identificado uma associação estatística muito pequena entre exposição pré-natal ao acetaminofeno e diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), análises mais rigorosas indicam que esses achados se devem a fatores de confusão e não a causalidade direta.
Principais pontos
- Em modelos populacionais sem controles familiares, foi observada uma leve elevação do risco de autismo associada ao uso de acetaminofeno na gravidez (hazard ratio [HR] 1,05; risco absoluto adicional de 0,09% aos 10 anos).1
- Quando se comparam pares de irmãos (mesma mãe, sem confusão genética e ambiental), a associação desaparece completamente (HR 0,98; não significativo).1
- A Organização Mundial da Saúde (OMS) e agências regulatórias de diversos países afirmam que não há evidências consistentes para estabelecer relação de causa e efeito entre paracetamol e autismo.2
- Revisões sistemáticas e meta-análises europeias mostram resultados heterogêneos: alguns estudos relatam aumento modesto de risco, enquanto outros não encontram associação significativa.1
Por que surgem as associações observacionais?
- Mulheres que usam paracetamol repetidamente podem ter condições inflamatórias ou febres não tratadas, que por si só estão ligadas a desfechos neurológicos.
- Relatos autodeclarados de uso e dose levam a viés de memória e subestimação/exagero da exposição.
- Estudos clínicos controlados ainda não identificaram mecanismo biológico conclusivo pelo qual o acetaminofeno induza alterações cerebrais compatíveis com TEA.
Recomendações para gestantes
- O acetaminofeno continua sendo considerado um dos analgésicos mais seguros durante a gravidez, desde que usado por curtos períodos e sob orientação médica.2
- Não interromper ou iniciar medicação sem recomendação: infecções ou febres mal controladas podem oferecer risco maior ao feto do que o próprio medicamento.
- Consulte sempre um profissional de saúde para avaliar necessidade e dosagem adequada.
Em resumo, as alegações de que “Tylenol causa autismo” carecem de respaldo científico e refletem interpretações equivocadas de estudos observacionais. O consenso médico permanece favorável ao uso criterioso de paracetamol na gravidez quando indicado.
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